O Revelação começou o ano com o pé direito: depois de vender 700 mil cópias do CD Ao Vivo no Olimpo, os sambistas já emplacaram mais de 100 mil cópias do novo disco, Novos Tempos, em apenas três meses. Mas eles preferem não tirar onda."Ainda é estranho dizer 'fazemos sucesso'. A gente fica emocionado. Já vimos homens chorando, chamando a gente, com mulher do lado. É muito bom ver isso", conta o cantor do grupo, Xande de Pilares.
O jeitão reservado - e meio envergonhado quando o assunto é assédio - dos músicos rende mal-entendidos. "Pode parecer que somos marrentos, mas não é nada disso. A gente só se surpreende com uma reação mais eufórica das fãs. AÃ, rola um bloqueio", explica o vocalista.
"A gente fica emocionado
com o público.
Já vimos homem chorando,
chamando a gente,
com a mulher ao lado"
Xande
Xande (voz e cavaquinho), Mauro Jr. (banjo e vocal), Beto Lima (violão, baixo, bandolim e vocal), Artur LuÃs (reco-reco e vocal), Sérgio Rufino (pandeiro) e Rogerinho (tantã e tamborim) lançaram o último disco em palco nobre da cidade: o Canecão. E já rodaram Europa, Estados Unidos e Japão - onde passaram muita fome, porque detestam peixe cru. "Deu a maior saudade do arroz com feijão", lembra Sérgio Rufino.
Os seis comemoram o novo status do samba entre a galera jovem. "Ninguém tem mais vergonha de dizer que é sambista. Ouvir Bezerra da Silva há alguns anos em FM era impossÃvel", lembra Beto Lima. Com shows marcados em vários cantos do PaÃs, os músicos falam do passado na hora de explicar a aceitação de sua música. " A influência do grupo vem dessa nata do samba, do Cacique de Ramos. A gente tem muito a agradecer a esses sambistas, que abriram caminho para nosso grupo", diz Beto.
"A influência do grupo
vem da nata do samba,
do Cacique de Ramos.
Temos muito a agradecer
a esses sambistas"
Beto Lima
Para se manter na preferência da galera, o grupo investe alto. Comprou equipamentos importados e contratou técnicos para garantir a qualidade do som dos shows. "A gente cantava em lugares onde o retorno do som era muito ruim. Um não escutava o outro e isso quebra o clima", explica Mauro Junior.
A sintonia entre os instrumentistas no palco - eles contam nos dedos os dias que fizeram ensaios 'por preguiça' - e a habilidade para falar de amor são trunfos. "As pessoas têm muita vergonha de dizer 'eu te amo', choram escondido, isso não pode", reclama Xande, que assume também suas próprias fraquezas. "Eu prefiro mandar um 'te adoro'", confessa o rapaz, que prefere não paquerar as meninas do palco. "Depois, se não firma compromisso, a gente perde a fã", ensina. Coisa de quem sabe tudo.
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